PAPEL DA FAMÍLIA NO PROCESSO DE APRENDIZAGEM

Sabemos que a família é responsável pela socialização primária da criança, que deve ser bem estruturada para que ela adquira equilíbrio emocional, segurança, limites, respeito, liberdade com responsabilidade no relacionamento com as pessoas. A continuidade dessa socialização é dada pela Educação Infantil e vai se expandindo à medida que a criança se desenvolve nos ambientes sociais em que participa. Portanto, a Educação Infantil vai suprir as defasagens da socialização que não foi propiciada pela família.

 

De acordo com YAEGASHI (1998, p. 46) a influência da família no desenvolvimento da criança é um fato indiscutível. A atmosfera que rodeia a criança será uma variável decisiva em seu progresso. Especialmente quando a criança apresenta dificuldades de aprendizagem, os pais devem provê-la de suporte emocional, informação e conselhos, se desejarem que ela tenha uma recordação de sua infância como um período feliz e frutífero.

 

De acordo com MILICIC (apud YAEGASHI, 1998, p. 46), uma criança que apresenta um baixo rendimento escolar pode ser portadora de um transtorno específico da aprendizagem, ou seu problema pode ser, ainda, a expressão de um sistema familiar disfuncional, que não permite à criança a maturidade necessária para conseguir um bom desempenho acadêmico. Por isso, um dos primeiros objetivos do diagnóstico Psicopedagógico é discriminar se a criança apresenta um problema de aprendizagem ou se o baixo rendimento é manifestação de uma problemática familiar.

 

As estratégias terapêuticas devem ser orientadas no sentido de facilitar à família a elaboração do problema, a fim de que possa dar à criança o necessário suporte afetivo.

 

Por outro lado, se o baixo rendimento escolar da criança é produto de problemas familiares específicos, é preciso esclarecer qual o seu comprometimento em termos de sistema familiar. Assim, pode-se avaliar que mudanças podem ser introduzidas na família, a fim de que se encontrem alternativas mais produtivas e saudáveis para a resolução do conflito.

 

A estratégia de diagnóstico e de tratamento nos transtornos de aprendizagem de uma criança devem levar em consideração aspectos cognitivos, neurológicos e abordagens de problemas emocionais.

 

Para MILICIC (apud YAEGASHI, 1998, p. 47), um enfoque sistêmico do rendimento escolar supõe que o problema da aprendizagem e a consequente ansiedade que desperta na criança, não somente a afetam, mas também repercutem sobre os outros membros de sua família. Estes, por sua vez, se comportam de uma maneira específica, como por exemplo, castigando, desvalorizando a criança, negando-lhe afeto, o que, muitas vezes, produzirá nela mais mudanças negativas.

 

Além da família, o sistema escolar também é afetado pelo baixo rendimento escolar do aluno e tentará dar as respostas de diferentes tipos: expulsões da escola, avaliações diferenciadas, aulas de recuperação e etc. Ao invés disto, segundo MILICIC (apud YAEGASHI, 1998, p. 47), tanto a escola quanto a família deveriam tentar mudanças que lhes permitissem responder adequadamente, no sentido de ajudar a criança e evitar maiores dificuldades, crises e stress.

 

Os pais diante das dificuldades dos filhos, apresentam sentimentos distintos, como confusão, frustração, raiva, crítica, culpa e intolerância. Os pais se tornam confusos e frustrados pela instabilidade apresentada pela criança no seu rendimento escolar, o que eles não aceitam, porque não compreendem o fato de uma criança esperta, inteligente, viva, ou quieta, dócil, afetuosa, possa ter problemas escolares. Essa confusão e frustração deixam os pais desorientados e com sentimento de raiva, agindo de maneira hostil em relação à situação.

 

Contudo, de acordo com MILICIC (apud YAEGASHI 1998, p.47), na medida em que as instituições educativas possibilitem momentos através dos quais a família possa expressar suas inquietudes e realizar atividades produtivas, este sentimento de frustração diminuirá, ou poderá ser canalizado. Quando a raiva em relação à criança é um elemento forte, o quadro se tornará mais severo, associando-se com dificuldades emocionais.

 

Daí é importante, a orientação de um psicólogo aos pais, possibilitando que expressem essa frustração em situações que não sejam na interação com a criança.

 

MILICIC (apud YAEGASHI 1998, p. 48), enfatiza, ainda, que a raiva é expressa, com frequência, através de queixas em relação à escola, ao professor, ao psicopedagogo e ao psicólogo. Para a autora, é necessário que tais críticas sejam aclaradas e aceitas, numa atitude compreensiva.

 

Geralmente os pais se culpam pelo baixo rendimento da criança e raramente apresentam atitudes positivas que facilitam as mudanças.

 

Por essa razão, MACEDO (apud YAEGASHI 1998, p. 48), afirma que qualquer diagnóstico infantil deve ser cauteloso, no sentido de não estigmatizar a criança e de não aumentar nos pais o sentimento de culpa. Para a autora, seja qual for o comportamento da família, o profissional que trabalha com problemas de aprendizagem tem em mãos a possibilidade de ser moderador das ansiedades dos pais e da própria criança.

Leila Aparecida Alves Kanada

“O Papel da Família no Processo de Aprendizagem Escolar”-Monografia apresentada ao curso de Pós Graduação em Psicopedagogia, como requisito à obtenção do título de Especialista, no ano de 2003. (fragmentos)

 


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2 thoughts on “PAPEL DA FAMÍLIA NO PROCESSO DE APRENDIZAGEM

  1. Elaisse, obrigada pelos comentários e visita! Eles me incentivam a trilhar neste caminho. Pois faço com amor e amo o que faço. Tento reunir aqui o que buscaria sobre a Educação Especial na rede. Fique a vontade para contribuir.

    Forte abraço,

    Leila Kanada

  2. Olá! Parabéns pela iniciativa de criar um espaco tão rico em informacões como este. Aqui temos a oportunidade de construir novos conhecimentos relacionados a Educacão Especial. De modo singular, o que mais me chamou a atencão foi gama de informacões sobre Altas Habilidades/Superdotacão, que relativamente ainda é considerada uma àrea escassa de referenciais teóricos.
    Continuem firmes e otimistas porque nossos alunos, educadores e a família dependem muito de iniciativas como esta.
    Elaisse.
    NAAH/S – GO.

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